Devaneio de um gordinho cagado

Quando criança eu era gordinho, beeem gordinho… Quer dizer, na verdade nem tanto, mas essa porra me incomodava, então sempre me imaginei como o Jabba. Ser gordinho provavelmente tem prós e contras, mas sinceramente, não consigo lembrar de nenhuma vantagem em ser um depósito de células adiposas ambulante.

Todo mundo sabe que crianças são as entidades mais cruéis da face da Terra, e o fato de eu ser “menos raquítico” que a maioria dos meus amigos, não chegava a contribuir com a minha popularidade, logo não desenvolvi suficiente traquejo social. Na hora do recreio eu travava batalhas míticas com meus Comandos em Ação, Jiraya e o Jiban (sim, o Jiban, o cara é um Robocop japonês e tinha uma motoca maneira), enquanto meus coleguinhas serelepes reuniam as meninas mais bonitinhas pra jogar o infame “menino pega menina”. Jogo que consistia basicamente em correr atrás das garotas, e no caso de captura, arrastar as tilanguinhas pra um local pré determinado que servia como prisão. Sempre tive inveja disso, correr atrás das garotas, agarrar e arrastar por ai sem que elas reclamassem.

Um dia, por um motivo que desconheço até hoje, fui convidado a participar dessa brincadeira (que hoje percebo, era uma simulação do que vejo em boates). Lá fui eu, todo pimpão, sedento pra colocar minhas mãos fofinhas em uma das beldades da minha infância. Apesar do sobrepeso, sempre fui muito ágil e corria como se não houvesse amanhã.

Teje presa! A garota (que aqui vou chamar de Judéia, pra evitar problemas) era linda, loirinha, sorridente e sentava na carteira da frente, sempre que possível eu dava uma cafungada em suas madeixas cacheadas. Lembro de pegar minha aquisição no colo e com a empolgação de um nerd que acaba de comprar seu primeiro iPhone, correr pra tal prisão. Há poucos metros do objetivo senti um forte cheiro de merda, “me caguei com o esforço?”, foi meu primeiro pensamento, apertei as nádegas com a finalidade de identificar badalhocas contundentes, nada foi encontrado, e a possibilidade de eu ter pisado em bosta dentro da escola era quase nula. Desanuviei desses pensamentos ruins e terminei meu trajeto, acomodei a Judéia no chão e me preparo pra próxima encoxada (porque naquela idade tudo o que importava era ficar de pintinho duro, já que orgasmo era um mito) quando o líder da brincadeira me aponta e grita o mais alto possível, com aquela voz fina e esganiçada que a criatura tinha, “Ele tá com a barriga cagada!!!”, imediatamente todos os olhares, de todos os alunos, de todas as turmas, convergiam em mim, então gelei, o tempo parou, dei um confere…

O rastro de merda cortava minha barriga, era de consistência mole (saca Nutella?) e fedia pra cacete. Comecei a juntar os fatos, olhei pra Judéia, ela desapareceu, já lavava a bunda à essa altura. A desgraçada tava desarranjada, provavelmente a merenda de escola pública, somada ao solavanco da corrida e ao esfíncter frouxo, culminaram na erupção escatológica.

E essa é a primeira lembrança que tenho de uma garota cagando (no caso literalmente) pra mim.

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Um comentário em “Devaneio de um gordinho cagado

  1. […] Waldir sempre foi desenrolado com as mulheres, seu bom desempenho data da época em que levei a cagada na barriga, ou um pouco depois disso, enfim, nos conhecemos na escola. O que vem a seguir é o relato de uma […]

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